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María Ximena Restrepo Herrera

Ingratidão e Sacrifício: uma lição para a Semana Santa

María Ximena Restrepo Herrera

30 de mar. de 2026

Queridos padrinhos e madrinhas,


A meditação de hoje nasce de uma metáfora, dada pelo Professor Plinio Corrêa de Oliveira. Ilustração forte e dolorosa sobre o imenso benefício que Nosso Senhor nos fez e a nossa ingratidão para com Ele. Vamos nos deter um pouco mais nessa parábola, para que a emoção entre fundo na alma e nos leve ao arrependimento verdadeiro.


Você vai imaginar agora um amigo próximo, daqueles que você conhece há anos, sofrendo dores atrozes. Não são dores que passam rápido: são dores noturnas, implacáveis, que roubam o sono inteiro. Ele deita exausto depois de um dia de trabalho, mas sabe que, assim que apagar a luz, o tormento começa. A cabeça lateja como se fosse explodir; o corpo se contrai em espasmos; o suor frio escorre pela testa enquanto as horas se arrastam, lentas e intermináveis. Ele acorda de manhã destruído, olhos fundos, rosto pálido, mas levanta porque a vida não para. Trabalha, sorri forçado para os outros, mas por dentro carrega um peso que ninguém vê. Chega a noite de novo, e o ciclo recomeça: meia-noite, uma, duas, três da manhã… e nada de alívio. Ele já tentou tudo: médicos, remédios, exames, especialistas. Nada resolve. É como se o sofrimento fosse uma sentença sem saída.


Um dia, na rua, ele encontra você. A voz sai rouca, cansada:


— Estou acabando… Não aguento mais. As noites são um inferno.


Você pergunta:


— Já pediu a Nossa Senhora? Ela é a Saúde dos Enfermos.


Ele baixa os olhos, envergonhado:


— Não tenho coragem. Sei que isso vem de um pecado grave que cometi há anos. É justo que eu sofra. Mas… não aguento mais. Estou preso entre a justiça e o desespero.


Você sente uma pena profunda. E, num impulso de caridade, diz:


— Olha, eu ofereço a Nossa Senhora ficar com uma parte dessa dor por você. Não tudo, mas uma parte: toda noite, enquanto eu durmo, um minuto de pontada furiosa na última falange do dedo médio da mão direita. Acordo assustado, sinto a dor aguda, mas passa. É pouco comparado ao que você sofre a noite inteira. Mas esse minuto, unido ao meu ato de amor fraterno, tem valor diante de Deus. Aceita?


Os olhos dele se enchem de lágrimas.


— Você faria isso por mim? Nunca pensei… Sim, aceito! Vamos juntos à igreja agora mesmo.


Vocês entram na igreja próxima. Ajoelham diante do Santíssimo ou da imagem de Nossa Senhora. Rezam uma Salve Rainha, jaculatórias ao Coração de Jesus. Ele chora baixinho; você toma o compromisso a sério. Saem da igreja com a alma em paz.


Naquela noite, você deita tranquilo. Às três da manhã: pan! Uma dor lancinante no dedo, como se uma agulha em brasa atravessasse o osso. Acende a luz — nada. Lembra do pacto. Sorri no meio da dor: “Nossa Senhora me tomou a sério. Obrigado por me atender”. A dor passa. Dorme de novo.


No dia seguinte, o mesmo: às três em ponto, tan! O susto, a pontada, o coração acelerado. Mas você aceita. Dias se passam.Seu amigo lhe encontra radiante:


— Sarei! As dores sumiram. Minha mãe quer te oferecer um jantar de agradecimento.


Todos em casa estão felizes por você.


O jantar acontece. Risos, elogios, brindes. Ele conta como melhorou, como voltou a dormir. Você sorri, feliz por ele.


Mas as noites continuam. Toda noite, às três: pan! O dedo lateja, o sono se quebra. Uma semana depois, já é rotina pesada: o corpo se acostuma mal, os nervos ficam à flor da pele. Você tenta uma tolice: coloca esparadrapo grosso no dedo, pensando “assim talvez não doa”. Naquela noite: tan! A dor explode no dedo inteiro, até a raiz. Acorda sobressaltado: “Nossa Senhora não gostou. Eu ofereci sem reservas, e agora tento fugir”. Retira o esparadrapo, envergonhado.


Passam mais dias. Você o encontra numa roda de conhecidos. Ele está corado, disposto, rindo alto. Cumprimenta com um aceno vago:


— Ah, oi! Tudo bem?


Continua a conversa com os outros. Na hora de ir embora, convida vários para voltar de carro com ele — mas a você, que mora perto, diz casualmente:


— Você vai a pé mesmo, né? Nossas casas não são longe… Até logo!


E vai embora, sem olhar para trás.


Naquele momento, algo se parte dentro de você. A dor no dedo já não é nada perto da dor no coração. Você se sente traído, esquecido, dispensado. Ele foi curado por causa do seu sacrifício — e agora age como se nunca tivesse acontecido. Evita você para não lembrar. Prefere outros “mais divertidos”. Rifou você.


Você entra na igreja sozinho. Ajoelha diante de Nossa Senhora ou do Santíssimo:


— Senhora, vede o que ele fez comigo. Eu ofereci por amor, e ele me paga com indiferença, com frieza. Retirai essa dor, por favor. Que ele carregue a sua cruz. Eu carrego a minha.


Mas, no fundo, você sabe que o mais nobre seria perdoar, voltar, aceitar de novo o sofrimento. A graça sussurra: “Ama como Eu amei. Perdoa como Eu perdoo”.


Agora padrinho, madrinha multiplica essa cena por infinito. O que você sofreu — um minuto de dor física por noite — é nada, absolutamente nada, perto do que Nosso Senhor sofreu por cada um de nós. Ele não ofereceu um dedo latejando: ofereceu o Corpo inteiro, dilacerado pela flagelação; as mãos e pés trespassados por pregos; a cabeça coroada de espinhos; o lado aberto pela lança; a sede ardente; o abandono do Pai; a morte infame na Cruz. Tudo por amor. Para nos livrar do pecado, da morte eterna, do inferno. Para nos dar a graça, a filiação divina, a amizade com Deus, a Eucaristia, a Confissão, a esperança da Ressurreição.


E nós? Quantas vezes, depois de sermos curados pelo Seu Sangue, nos esquecemos? Quantas vezes Ele nos perdoa na Confissão, nos alimenta na Missa, nos protege nas tentações — e nós O deixamos de lado na hora da preguiça, da vaidade, do prazer? Quantas vezes viramos as costas, preferimos “amigos” do mundo, dispensamos a oração com um “até logo” distraído? Quantas vezes, beneficiados, O evitamos para não lembrar o preço da nossa salvação?


Esta Semana Santa nos coloca diante dessa verdade que dói e cura: o amor de Cristo é infinito; nossa ingratidão, finita e perdoável. Ele não nos pede que carreguemos sozinhos o peso — Ele já carregou tudo. Pede apenas que reconheçamos, que choremos, que voltemos com humildade e digamos: “Senhor, eu Te esqueci, Te traí com minhas indiferenças, mas eis-me aqui. Aceito de novo Tua Cruz, pois sei que foi por mim. Misericórdia!”


Que o olhar de Jesus na Cruz nos alcance e nos faça dizer, com o coração contrito e apaixonado: “Meu Jesus, misericórdia. Obrigado por tanto amor. Não mais Te esquecerei!”

Amém!


Comentários (10)

Josué S Dias
há 4 dias

Só gratidão ao Senhor Jesus Cristo por todos que mim deste no sente em tudo que passo Só agradeço... .por tudo que sofreu por mim e por todos para nos dar a salvação...

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Edith Pikler
há 4 dias

Gratidão. Vou lembrar dessa historia


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Maria C Ribeiro
há 4 dias

Senhor perdoa nossos pecados,tenha piedade dos seus fiihos!!😍😍

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Maria Estela Gonçalves Peron
08 de abr.

Muito lindo, mais as nossas misérias nos fala mais forte dentro de nós, por causa dos nossos pecados e acabamos agindo igual a pessoa deste texto. Que aprendamos com Nossos Senhora, a amar verdadeiramente com o coração e alma, não somente nos momentos que precisamos e logo esquecemos do grande amor que Deus tem por nós pecadores ingratos.


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Fábio Nóbrega
04 de abr.

Misericórdia Senhor dos meus atos.

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Regiane Bittencourt frança Gou
03 de abr.

Meu senhor e meu Deus perdoa meu pecados e curai minha dor

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Maria
01 de abr.

Jesus misericordioso, tem misericórdia de mim.

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Maria Neusa Ferreira Miguel
31 de mar.

MEU SENHOR E MEU DEUS perdoa-me pelo desânimo devido a minha situação financeira sinto-me fraca na fé e machuco o teu CORAÇÃO 👏🙏📿❤💙

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Rosa Santos
31 de mar.

Jesus amado,perdoe os meus pecados que te ferem tanto.Amém.

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Maria de Fatima
30 de mar.

Grande verdade! Jesus tenha misericórdia de nós🙏❤️

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